Taller 12 - Biogeografia em ead

0000biogeografiaBIOGEOGRAFIA EM EAD: UMA ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA ATENDER A APRENDIZAGEM DA GERAÇÃO Y

 

Resumo

O projeto de Biogeografia, desenvolvido por uma equipe de educadores com alunos do Ensino Médio, envolve conhecimentos de Geografia, História e Biologia. A proposta objetiva articular a estratégia de EAD, num contexto multidisciplinar à interação humana com o meio ambiente. O projeto também propicia um espaço que integra tecnologia educacional; construção do conhecimento; participação ativa e propositiva dos estudantes nas discussões sobre temas atuais e relevantes; elaboração de propostas de intervenção que consideram as questões sócio- ambientais e a necessidade de buscar qualidade de vida aliada ao desenvolvimento humano e tecnológico. Esse projeto encontra ressonância quando analisamos o quanto as disciplinas isoladamente não contemplam plenamente as interpretações dos fenômenos sócio-políticos e ambientais. Neste contexto compreendemos que é necessário construir um espaço que privilegie uma aprendizagem significativa, que proporcione a pesquisa e as discussões, rompendo com os limites que a fragmentação disciplinar impõe. A opção pela estratégia de Educação à Distância está associada à facilidade que os alunos possuem em trabalhar em ambientes virtuais, utilizando a diversidade de estratégias proporcionadas pelo ambiente. O trabalho foi desenvolvido em módulos, onde cada um deles possui uma temática e utilizam recursos de tele-aula, fórum de debates, aulas interativas, guia de estudos e uma situação problema.

Palavras-chave: multidisciplinaridade, educação à distância, aprendizagem significativa.

Introdução

Temos vivido o desafio de trabalhar com jovens, nascidos nas décadas de 1990 e 2000, que durante muito tempo foram rotulados de sem ideal, sem perspectivas, indisciplinados e imediatistas. O convívio, nas escolas, com essa juventude tem frequentemente gerado conflito na relação professor/aluno.

Vivemos em um tempo singular em que vivenciamos incontáveis acontecimentos em nossa entorno, processos de mudança cada vez mais acelerados, mal temos tempo de nos acostumar a uma mudança já temos outra chegando, tudo isso regado a muita informação que chega pelos mais diferentes canais de comunicação.

Percebemos que a geração Y, que compreende os nascidos entre 1980 e 2000, não responde significativamente a modelos educativos centrados no professor, em estratégias convencionais ou modelos de palestras, são necessárias estratégias diferenciadas que criem um espaço de comunicação entre o professor e o aluno.

Até bem pouco tempo o processo educativo era absolutamente centrado no professor, o mesmo possuía uma sabedoria ímpar e era o provedor de conhecimentos e informações para que seus alunos pudessem conduzir suas vidas. A dependência à sabedoria docente era absoluta, o conhecimento era propriedade do professor e a única forma de acessá-lo era ouvindo-o.

Desde então muitas mudanças ocorreram, as informações e o conhecimento historicamente construídos estão disponíveis com muita facilidade e a quase todas as pessoas, basta um clique e podemos ter em mãos todas as informações de que necessitamos. Os nossos jovens vivem neste mundo imediato, sempre conectados obtendo as informações de que necessitam a partir do uso dos diferentes recursos tecnológicos e do acesso aos meios de comunicação.

Se um estudante do século XX entrasse nas escolas de hoje, se espantaria com o comportamento apresentado pelos seus colegas e com a quantidade de equipamentos eletrônicos que cada um deles traz em suas mochilas, mas com pouca possibilidade de erro não teria nenhum espanto ao entrar em uma sala de aula: lousas, mesas enfileiradas, professor a frente da sala, esta cena lhe seria absolutamente familiar.

Este é o grande desafio da educação em nossos dias, a geração Y chega à escola conectada com o mundo, desafia diariamente as estratégias pedagógicas utilizadas, pois muitos deles já construíram diferentes formas de pensar e de aprender. A escola que temos que se propõe a ensinar esses jovens, pouco se modernizou nos últimos séculos. Diante desta constatação, alunos digitais e sistema analógico, é necessário um momento de reflexão que possibilite a construção de diferentes formas de aprender. Precisamos pensar a forma de construir conhecimento desses jovens, modificar a maneira de se relacionar com eles, propor uma nova geografia para os espaços de aprendizagem e rever a formação dos professores.

A Educação a Distancia no contexto da Educação Básica

A Educação a Distância abre espaço para a construção de novas práticas pedagógicas e viabiliza a possibilidade do uso da tecnologia e suas ferramentas. Cada vez mais é notório o maior envolvimento dos jovens quando se sentem fascinados pelo uso dos recursos tecnológicos. A viabilização dessas novas formas de contato com o conhecimento e a interação que essas formas propiciam garantem um universo de possibilidades para cada vez mais qualificar os processos de ensino e aprendizagem. Podemos utilizar as ferramentas tecnológicas disponíveis trazendo inovação ao processo, não consideramos inovação apenas o uso da tecnologia, mas as metodologias construídas para se adequar a tecnologia.

Na educação básica, em especial no ensino médio, a EAD vem marcar um novo capitulo na história do ensino e aprendizagem, é uma nova possibilidade de construir conhecimento mediados pelo uso de tecnologias da informação e comunicação, o uso dessa estratégia abre possibilidades de trabalhos com projetos e de inserção cada vez maior do jovem no universo da pesquisa e produção de conhecimento.

O uso dessa estratégia tem permitido a busca cada vez maior da pesquisa no contexto do ensino médio, a construção do conhecimento com uma postura critica e reflexiva, a cooperação multidisciplinar e o uso da tecnologia e da comunicação como ferramentas indissociáveis nas novas formas de aprendizagem.

A Biogeografia

Biogeografia é a área da ciência biológica que estuda a distribuição dos seres vivos no espaço e através do tempo. Assim, estuda-se a distribuição da vida com base em sua dinâmica na escala espacial e temporal no planeta Terra. É uma ciência multidisciplinar que relaciona informações de diversas outras ciências como geografia, biologia, climatologia, geologia, ecologia e evolução (MORRONE, 2004).

Os biogeógrafos são aqueles que tentam compreender os diferentes padrões de distribuição dos animais e plantas. Para tanto buscam reconstruir estes padrões, unindo a história da Terra em diferentes escalas espaciais e temporais à história das formas dos seres vivos, ou seja, entender como se processaram as modificações morfológicas de animais e plantas, quais suas causas e como isso aparece refletido no espaço geográfico (CRISCI, 2003).

Desde que o homem surgiu, vem se preocupando onde encontrar os animais ou plantas, isto em função da sua curiosidade e também pelo fator alimentação. A Biogeografia enquanto ramo da Biologia esta voltada à distribuição dos seres vivos, preocupa-se com a história evolutiva dos seres vivos, qual ou quais ou fatores que determinaram a distribuição dos táxons em uma ou mais regiões. As histórias dos táxons são semelhantes e seguem os seguintes passos: origem, expansão, redução e extinção. A Biogeografia se preocupa com essa história associada à cada região (MORRONE, 2004).

A proposta

Vivenciando cotidianamente a inquietude de nossos jovens, sua enorme capacidade de se relacionar com a tecnologia e a necessidade de buscar estratégias diferenciadas para a aprendizagem em nossas escolas este trabalho propõe a estruturação de uma disciplina para o currículo do ensino médio utilizando a estratégia de EAD.

O objetivo é proporcionar um espaço integrado a moderna realidade de comunicação e divulgação do conhecimento, estimulando a participação ativa dos estudantes sobre discussões de temas atuais que envolvem conceitos básicos de Biologia, Geografia, História e a modificação humana realizada no meio ambiente.

Toda a estruturação da proposta está centrada em analises criticas e argumentativas relacionadas a questões sobre a realidade sócio-ambiental, convidando o educando a ser propositivo de maneira a considerar os problemas ambientais, a ocupação desordenada do espaço geográfico e as necessidades atuais.

A proposta encontra consonância ao analisarmos que as explicações conceituais da Geografia e da Biologia não contemplam integralmente as interpretações dos fenômenos sociais, políticos e ambientais. Construir um espaço de pesquisa e discussão, romper os limites da fragmentação disciplinar e privilegiar uma construção significativa é a grande necessidade dos processos educativos atuais. Acreditamos que esta proposta é um trabalho inicial que permite essa nova e necessária maneira de ver os processos educativos e o jovem inserido nestes processos.

O ambiente EAD propicia aos alunos do Ensino Médio um espaço virtual de pesquisas e discussões em diferentes momentos e situações, estimulando a participação e inserindo o aluno no espaço técnico-científico informacional promovendo criticidade e cidadania.

A Metodologia

A proposta está centrada na utilização de recursos e ferramentas EAD. Está organizada em sete módulos, cada um com uma temática específica, utilizando recursos interativos e diversificados como: tele-aulas, fórum de debates, aulas interativas em power point e guias de estudos.

Cada um dos módulos possui uma temática própria onde a partir de uma situação problema o aluno é convidado a pesquisar, interagir, buscar alternativas e propor uma solução que considere as necessidades locais e globais, bem como as alternativas existentes na comunidade local e no espaço global, tendo sempre como ideal a melhoria da qualidade de vida do ser humano.

Para melhor compreensão da proposta, descrevemos abaixo o primeiro módulo do projeto Biogeografia em EAD.

Descrição do primeiro módulo

Tema: Geração de energia e impactos ambientais

Tele-aula: Técnica de simulação aplicada

- A introdução de uma nova matriz energética na cidade Sem Luz da Serra, localizada no estado de São Paulo na região do vale do Rio Pequeno. A cidade recebe energia elétrica da cidade vizinha desde sua fundação, 1948. Devido ao aumento populacional e da demanda de energia elétrica para a atividade industrial e comercial, a rede elétrica oscila nos horários de pico, prejudicando os pequenos estabelecimentos comerciais e industriais, interrompendo quase que diariamente o fornecimento de energia. Para isto, necessitamos de soluções que venham de encontro aos interesses e necessidades da cidade de Sem Luz da Serra.

A prefeitura da cidade preocupada devido às cobranças da população em geral decidiu abrir licitação publica para projetos de geração de energia viáveis para a cidade.

Caberá ao aluno propor uma solução para esta problemática a partir de informações disponibilizadas na plataforma, como decidir qual a melhor solução para atender as necessidades da população da respectiva cidade. Levando em consideração informações sobre: relevo, pluviosidade, condições físico-químicas, clima, cultura, preservação ambiental, verba disponível para o projeto e demanda de consumo.

Para isso, os alunos receberão diversas informações sobre a cidade e deverão pesquisar as diferentes formas de exploração de energia local para atender ao projeto, fazendo uso das condições do local.

Aulas em Power Point:

-Energia/Economia

-Energia, funcionamento das usinas – implicações

-Energia renovável

Fórum: Reflexões e discussões a partir de temas e filmes propostos

-Quem matou o carro elétrico? – Filme documentário

-Highlander 2 – Filme aventura

-MadMax 3 – Além da cúpula do Trovão

Referencias Bibliográficas:

CASCINO, F., Jacobi, P., Oliveira, J. F. de. 1998 Educação, Meio e Cidadania – Reflexões e Experiências. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo.

CRISCI J.V., Katinas L. & Posadas P. 2003. Historical biogeography: an introduction. Cambridge, Harvard University Press.

CHRISTENSEN, Clayton M. Inovação na sala de aula: como a inovação de ruptura muda a forma de aprender. Clayton M. Christensen, Michael B. Horn, Cútis W. Johnson: tradução Raul Rubenich. Porto Alegre: Bookman, 2009.

FAZENDA, Ivani C. A. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. 4. ed.Campinas: Papirus, 1994.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.

MELLO, G.N de. Educação Escolar Brasileira: O que trouxemos do século XX? Edt. Artmed, Porto Alegre, 2004.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários a Educação do Futuro. 3. Ed. São Paulo: Cortez: Brasília DF: UNESCO, 2001.

MORRONE, J.J. 2004. Homología biogeográfica: las coordenadas espaciales de la vida. Cuadernos del Instituto de Biología 37, Instituto de Biología, UNAM, México D.F.

NOVOA, Antonio. Os professores e as histórias de sua vida. IN: NÓVOA, A. (org). Vida de professores. Porto: Ed. Porto, 1992.

OLIVEIRA, Sidnei. Geração Y: o nascimento de uma nova geração de líderes. São Paulo: Integrare Editora, 2010.

SACRISTÁN, J. Gimeno. O Currículo: uma reflexão sobre a prática. 3. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

SENA, L. B. R. de. Gestão Participativa das águas. Governo do Estado de São Paulo Secretaria do Meio Ambiente.

Débora Castanha

Mestre em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, diretora do Colégio Metodista de São Bernardo do Campo. déEsta dirección de correo electrónico está siendo protegida contra los robots de spam. Necesita tener JavaScript habilitado para poder verlo.

Maria Bernadete de Castro

Especialista em educação pela Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, coordenadora pedagógica do Colégio Metodista de São Bernardo do Campo. Esta dirección de correo electrónico está siendo protegida contra los robots de spam. Necesita tener JavaScript habilitado para poder verlo.